EDITORIAL

Aproxima-se a nossa Assembleia Convencional, conclave que reúne Igrejas através dos seus representantes, é ainda um tempo de trabalho durante o qual nos ocupamos, à semelhança da Igreja local, de questões administrativas.
Podem parecer enfadonhas e supérfluas, mas são necessárias e todos nos devemos preocupar e envolver nestas decisões. Em qualquer caso as Igrejas reúnem também para comunicarem e se inspirarem mutuamente, enquanto em conjunto louvam e aprendem e constroem comunidade. É um tempo em que temos que dominar as nossas paixões e agendas, procurando consensos e objectivos comuns a perseguir, e desenvolver a capacidade bem Baptista de aceitar e respeitar as decisões da maioria. Não abandonamos a cooperação ou deixamos de contribuir porque o que defendemos com toda a convicção e entusiasmo não obtém o
apoio que esperaríamos. Acreditamos que o Espírito de Deus conduz a Igreja  também através das decisões maioritárias da congregação. Aos dirigentes cabe esclarecer e assegurar que todos os participantes estão bem conscientes das escolhas e problemáticas, para que possam dar o seu contributo em consciência e com toda a cordialidade.
Para as práticas que as Igrejas Baptistas adoptam há razões. À semelhança do que Jesus Cristo ensinou“A Lei é feita para o homem e não o homem para a Lei” os Baptistas põem sempre à frente das regras e das práticas as pessoas, e só assim há na comunidade dos crentes fidelidade ao mandamento de Cristo “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”que sintetiza toda a Lei e regras que possamos prezar e respeitar. Mas isto não invalida que as Igrejas sejam conservadoras e procurem que quaisquer alterações nas suas práticas sejam sempre suportadas por consensos alargados, e sustentadas na Palavra Bíblica. Isto é tanto mais relevante numa época em que a vulnerabilidade da Igreja a todo o tipo de conceitos, ideias, ensinos, opiniões; veiculados desde a escola até ao dia-a-dia por via de livros, música, cinema, televisão, todos os meios de comunicação electrónica e outros entretenimentos e espectáculos que estão aí a construir um superego e uma
mundivisão, e formas de relacionamento e vivência, que não poderemos chama de cristãos, é uma realidade de que é necessário estar consciente e contra a qual convém construir convicção e resistência. Examinar tudo mas reter apenas o bem, é a recomendação Bíblica. E a Igreja não é dominada pelo medo, nem é estática.

Os Pastores, Doutores, Anciãos, Professores, Diáconos são dons de Deus à Igreja e o seu ensino e direcção devem ser respeitados e tidos em conta, como ensina Pedro “sempre verificando se o ensino não se desvia da doutrina dos Apóstolos, aprendida do próprio Jesus”. Cuidado com cegos que conduzem cegos. Mas as Igrejas Baptistas, e também a cooperação entre elas, têm um modo natural e ancestral de ser que se chama discipulado; assim as práticas e as verdades vão sendo passadas de geração em geração, como afirmamos em alguns dos hinos que cantamos.
Visionários que aparecem do nada, com todo o seu carisma e promessas de vida fácil ou ensinando uma religião de emoção, de irracionalidade, e centrada no eu, não são seguramente credíveis … .

Não me envergonho do Evangelho de Cristo, como afirmava também Paulo, mas por vezes envergonho-me de evangélicos, crentes genuínos ou não, que fazem escolhas e adoptam atitudes nas quais não vislumbro a mão de Deusa actuar, mas sim toda uma plêiade de interesses e motivações arredados de Jesus Cristo, e a manipulação da Igreja para servir algo que não é o Senhor da
Igreja. Em todo o caso, somos Igreja para nos corrigirmos mutuamente, para nos suportarmos mutuamente, para nos perdoarmos mutuamente; e sabemos que historicamente o cristianismo também teve as suas más interpretações que conduziram a conflitos e a atitudes que ainda hoje são pedra de tropeço para muitos e prejudicam e envergonham o testemunho verdadeiro.
E é esta Igreja, com todos os seus defeitos e problemas, que o Deus Criador Jesus Cristo e Espírito Santo tem usado para continuar a bater à porta dos corações de uma humanidade desviada do caminho certo, oferecendo reconciliação, regeneração e solução.

Davide A. Silva

Presidente da Mesa da Assembleia Geral