MISSÃO NA ALTA DE LISBOA

Início e programa geral:

Estamos coordenando a plantação de uma igreja na Alta de Lisboa – Lisboa. O projeto começou em 2010 com a nossa mudança para o bairro e terminará em 2017 – total de 7 anos. Neste tempo a  missão precisa alcançar algumas autonomia, principalmente na área da liderança, de auto-proclamação e alguma segurança financeira. Não foi difícil escolher um bairro para plantar igreja em Lisboa, pois estratégicos grandes bairros desta capital estão praticamente sem igrejas evangélicas de nenhum denominação e a carência espiritual grita e nos assusta. O projeto faz parte de uma liderança tripartida, sendo a Igreja Evangélica Baptista da Amadora, Missão Cristã Evangélica e Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira partes dela.

O bairro: 

São 32.000 moradores e praticamente nenhuma presença evangélica no bairro. Local que foi construído e idealizado para unir classes sociais diferentes, abrigando tanto a classe média quanto pessoas que foram realojadas de antigos bairro “de lata” para prédios construídos pelo governo. A miséria espiritual é grande e, pior do que ela, é sentir que a igreja esta praticamente a lutar sozinha contra todos os valores e princípios que não foram construídos no bairro (para não dizer no país). Praticamente ninguém tem bíblia em casa (nem os ditos católicos), muitas crianças ficam vagando nas ruas como se fosses delinquentes (o que muitas se tornam), o conceito familiar praticamente não existe e casamento menos ainda. A maior parte das crianças que trabalhamos, por exemplo, vivem em famílias destruídas, com pais separados, presos ou simplesmente ausentes por causa da bebida, drogas e da depressão (tão forte aqui).

Ao mesmo tempo é um bairro com tremenda força associativa. São muitos grupos formais e informais organizados que visam a melhoria geral da comunidade. E foi através destes grupos que começamos nossa missão, ou penetração na Alta de Lisboa.

Nossa visão e método:

Resolvemos comprar a briga e tentar ser igreja para todas as classes sociais praticamente ao mesmo tempo (indo completamente contra o que dizem os manuais missionários – que dizem para escolhermos uma classe social específica). Isso quer dizer muito trabalho e muita prudência ao mesmo tempo. Os grupos e associações do bairro sempre estão em busca de unir as classes sociais e nós não podíamos fazer diferente. As palavras “relacionamento contínuo com as pessoas” e “equipe de trabalho transcultural” foram e são nossas máximas para o “pré-evangelismos”.

Nosso primeiro grande contato no bairro foi com uma fundação, que por sinal era e é muçulmana. Inicialmente não sabíamos do fundo religioso da fundação, mas foi justamente ela que nos abriu tremendas portas na comunidade. Ela nos apresentou muitos outros grupos e por eles começamos a conhecer pessoas e pessoas. Nossa postura, desde o começo, foi de nos voluntariarmos ao trabalhos que eles já faziam em um formato de “serviço ligado ao amor incondicional” (o que não espera retorno como troca). Isso foi nos dando muita credibilidade no bairro, ao ponto em vários momentos sermos convidados para reuniões, debates e importantes tomadas de decisões no bairro. E assim estamos até hoje. Atualmente essa fundação, por exemplo, tem nos convidado para debater, junto com eles, os temas do bairro e mesmo da própria fundação. Por grande “ironia” da circunstância, nosso primeiro ponto externo de pregação aos domingos foi em uma das sedes desta fundação (muçulmana) no bairro.

Durante os primeiros anos na Alta de Lisboa não construímos nada nosso, nenhum projeto específico para o bairro. Tudo que fizemos foi em parceria com as forças que já existiam no bairro, e dentro da missão deles. Nesta caminhada fomos testemunhando, impactando e evangelizando.

Neste ano começamos com forte ênfase em “Pequenos Grupos” e discipulado. Isso tem nos ajudado bastante a melhor cumprir o que chamamos de “grande comissão”. Temos compreendido igreja com a dupla tarefa de “ganhar almas” e também “cuidar delas”, tal como lançá-las para a evangelização e ao discipulado de outras.

Áreas de ação no bairro (junto a associações e grupos – não consigo mencionar todos, mas alguns de maior consistência)

1. Biblioteca do bairro: Temos a liberdade de desenvolver qualquer tipo de atividade cristã nesta biblioteca, que é voltada para crianças e que também fica na parte mais debilitada do bairro, com muitas famílias em risco a conviver – ou “sobreviver”. O trabalho tem sido muito consistente e já temos acesso a muitas crianças e famílias. No entanto, todas as vezes que tentamos fazer algo mais evangelístico com as crianças enfrentamos muitas barreiras, a maior delas são as próprias crianças, que ao mesmo tempo que querem ficar conosco, são nitidamente oprimidas pelo inimigo para se afastarem ou tumultuarem. No entanto, não desistimos e não vamos desistir. Como precisamos de voluntários com real perfil de trabalho com crianças e pré-adolescentes!!! Não necessariamente de gente que fala sobre trabalho com crianças, mas que realmente trabalha com elas em amor e interação, presença e etc.

2. Associação Espaço Mundo: São cerca de 25 a 30 crianças acompanhadas por esta associação, que tem o propósito de promover atividades criativas e de dar apoio escolar às crianças. Hoje temos grande liberdade de trabalhar com essas crianças princípios bíblicos através do futebol e também de acompanhamento “um a um” no apoio escolar, que naturalmente vai se transformando em discipulado evangelístico. Graças a Deus já estamos chegando aos pais destas crianças e logo logo vamos fazer algo com eles também. Nos próximos dias estaremos a começar um ministério contínuo no meio deles, que visá decorar textos bíblicos e evangelizá-los (o mesmo já acontece na biblioteca).

(esses dois trabalhos mencionados acima demandam tremenda energia da nossa parte, física e espiritual. Cremos mesmo que grande parte da igreja do futuro estão nestas crianças, mas também sabemos que o preço a se pagar por elas será tremendo – precisamos de ajuda – em oração e em voluntários)

3. CLIP: É uma grande associação do bairro que agrupa várias outras associações. Hoje fazemos parte da direção executiva da mesma e podemos desenvolver muitos trabalhos com eles. É uma associação mais técnica e de muita competência por parte dos associados, pois lidamos diretamente com líderes da comunidade, com forças políticas e também empresariais. Essa associação tem nos aberto muitas portas e possibilidades no bairro. Ainda nem sabemos direito como aproveitar esta tremenda “porta aberta”, por meio desta associação que tem alcançado notoriedade tal no país, que até uma das diretoras da “Segurança Social” em Portugal veio ver o nosso “modelo de Governança” com vistas em implementá-lo como modelo da própria “Segurança Social” no país.

4. “Atletas de Cristo / Jiu-Jitsu”: A Missão na Alta de Lisboa cresceu para muitos lados e hoje, felizmente, depende de vários irmãos / voluntários em força ativa. Começamos o projeto “Altetas de Cristo / Jiu-Jitsu”. Para tal, temos um missionários voluntário que é professor de Jiu-jitsu – Ricardo Chain. Quinzenalmente temos os encontros de “Atletas de Cristo”, encontros que proporcionam ótimo convívio, tempo de reflexão bíblica, louvor e muita ênfase evangelística (mas sempre de forma relacional). Nestes encontros temos tempo de treino de Jiu-Jitsu, e sabemos bem que são esses momentos que tem, inicialmente, atraído pessoas, que assim continue!!! Este projeto de jiu-jitsu tem sido o que mais tem nos trazido retorno imediato para o trabalho missionário, sendo feito preferencialmente com atletas não crentes e com intencionalidade evangelística. Já temos baptizado pessoas ligadas a este ministério (isso é uma grande vitória para um ministério tão específico).

Resultados:

De forma objetiva podemos dizer hoje “contamos com a simpatia de muitos, mas também podemos dizer que o Senhor “ainda” não tem nos acrescentado dia após dia almas”. No entanto, sabemos que a primeira grande tarefa de uma plantação de igreja foi feita, pois construímos a tão necessárias credibilidade que a igreja precisa ter, e de que Deus é digno.

Mesmo assim, podemos dizer que hoje temos uma média de 40 pessoas aos domingos (incluindo crianças), alguns baptizados, um aceito por aclamação e mais 2 ou 4 devem ser baptizadas até o fim do ano. Outros estarão no caminho em breve, pois nossa proximidade com muitas pessoas interessadas ou ainda não tão interessadas em Deus é muito grande. Os Pequenos Grupos e os discipulados têm ajuda muito neste “time” da plantação da igreja.

Contudo, hoje, posso dizer que o maior resultado que temos é a oportunidade e abertura de trabalhar com e através de inúmeros não crentes no bairro durante a semana. Isso quer dizer que nosso maior trabalho é feito durante a semana e que o domingo (culto) tem sido “mera” consequência!!!

Alguns Valores:

– plantar igreja de forma “low cost” – barata: Desde o início entendemos que seríamos um projeto barato, que usaria muita mais a força e estrutura já presente no bairro, do que encabeçar grandes projetos e grandes estruturas. O resultado é que hoje praticamente não temos estruturas físicas no bairro, mas temos muitas pessoas com quem podemos trabalhar e testemunhar. E detalhe, a estrutura que hoje usufruímos é praticamente “dada ou emprestada” pela comunidade (em alguns casos por vontade deles mesmos).

– Trabalhar especificamente com “não crentes” e portugueses: Parece óbvio, mas não é. Muitas missões têm sido abertas com crentes “fugidos” ou desviados de outras igrejas e este não é o nosso propósito. Desde o começo temos procurado não receber nenhum “crente antigo” em nossa missão, ao menos que seja para trabalhar na equipe missionária. Obviamente isso vai mudando como  tempo. Resolvemos também focar no português porque a maior parte dos trabalhos abertos NA EUROPA focam toda quase que todo o trabalho nos imigrantes e impressionantemente os nacionais costumam não ser o foco da missão.

– Pequenos Grupos e forte discipulado: Não entendemos como cumprir a grande comissão sem essas frentes ativas, vivas e consistentes

Desafios atuais:

1. Manutenção do casal de missionários plantadores – Ricardo e Priscilla: Com a crise econômica do Brasil e a crescente desvalorização do real frente ao Euro, tem sido muito difícil manter os missionários deste lado. Por esta razão já estamos na grande luta para manter o casal plantador até o fim do tempo da plantação da igreja, ou ao menos até termos passado para uma liderança nacional. Certamente este desafio passa por conseguirmos recursos para manutenção no país.

2. Fundos e obreiro nacional (preferencialmente): Estamos em fase tanto de definirmos um obreiro que estará na continuidade da igreja plantada, quanto dos fundos para este. Obviamente que a missão, por si mesma, não tem fundos de entrada o suficiente para tal. Por esta razão devemos começar a tomar passos para que esses fundos venham de fora do país, mas principalmente de dentro. Temos como desejo / sonho ter alguém que possa dedicar tempo integral para o igreja, pois entendemos que o envolvimento da mesma na comunidade, tal como às crescentes demandas internas, fazem com que o obreiro tenha que se dedicar integralmente para tal. Obviamente esta é a nossa primeira investida, pois entendemos que as “portas abertas” pelos não crentes no bairro precisam ser mantidas e avançadas.

3. Voluntários / estagiários: A vinda de pessoais ou de grupo (curto, médio ou mesmo longo prazo): Temos grande diversidade ministerial no bairro (maior parte com não crentes) e conseguimos direcionar praticamente qualquer perfil de voluntário nos trabalhos da missão no bairro. Quero dizer, grupos ou pessoas de igrejas com desejo missionário poderiam vir passar um tempo conosco e, além de ver e orar pelo trabalho, poderiam ajudar diretamente. Áreas a destacar: Esporte (Jiu-Jitsu ou futebol), crianças (capacidade de discipular), música em geral, trabalhos sociais no bairro, psicólogos, educadores e etc…

Plantação de Igreja – Alta de Lisboa

Pr. Ricardo Magalhães e família